ALFREDO VOLPI
 

Volpi, um dos quatro maiores pintores brasileiros, retratou o "simples" com sofisticação. De origem italiana, herdou valores dos grandes mestres italianos, que incorporou à sua obra, mesclando às cores brasileiras.
Pesquisou a nossa paisagem, na periferia e no litoral, buscando tonalidades inusitadas de azuis, verdes, terras. Numa comunicação direta, representou o gosto popular. Coisas de um pintor despojado, singular, único.
Misturou pigmentos com gema de ovo, óleo de cravo, formando uma escala de cores própria, com as cores brasileiras, numa técnica inovadora em pintura sobre tela. (Têmpera).
Eliminou texturas, massas, técnicas , deixando apenas a cor e a forma na tela. Deteve-se numa construção geométrica simples, as "bandeirinhas".
" Um pintor de bandeirinhas eu? Quem pinta bandeirinhas é o Penacchi. Eu pinto formas , cores." (Alfredo Volpi) Simplificava para extrair a essência.
Preservou o prazer de criar e de pintar, sem teorias e enquadramentos; manteve a integridade mesmo cercado por movimentos artísticos radicais. Participou de diversas mostras e salões do Construtivismo e Concretismo (56 e 57).
Foi eleito pelos intelectuais do Movimento Concretista como o "...primeiro e último grande pintor brasileiro" (Haroldo e Augusto de Campos). Representante da arte brasileira na XXVII Bienal de Veneza (1952), recebeu o Grande Prêmio na II Bienal Internacional de São Paulo (1954), tornando-se o pintor mais solicitado pelos compradores no mercado de artes.
Foi homenageado em Sala especial da VI Bienal de São Paulo (1961), com uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1972), e no Museu de Arte Moderna de São Paulo (75 e 98) . Sua obra parece se integrar com o indivíduo num todo harmonioso, e vem à tona com fluidez e liberdade de uma força natural. Olívio Tavares Araújo 1981.
"A beleza individual destas imagens, qual variações da mesma melodia simples, integradas por um ritmo \rude e varonil, faz jorrar uma força que não falhará em seduzir, envolver e , finalmente, nos arrebatar para este doce e gratuito brinquedo de dançar, cantar, e amar a vida feliz, que é presenteada a todos sem avareza." Ladi Biezus autor do projeto editorial "Volpi: a construção da catedral."1981 MAM São Paulo.
"Sua obra parece se integrar com o indivíduo num todo harmonioso, e vem à tona com fluidez e liberdade de uma força natural." Olívio Tavarez Araújo 1981.

"...Seus temas, tão maravilhosamente ligados à paisagem e à gente brasileira, às suas cores, ritmos e formas, e ao seu inesgotável imaginário." Jacob Kilntowitz 1989.

1894 Nasceu em Lucca, Itália.
Veio com a família ao Brasil, fixando-se em São Paulo.
Exerceu vários ofícios, inclusive o de decorador de interiores e pintor de paredes.

1914 Executa sua primeira obra.

1925 Inicia sua participação em mostras coletivas.

1927 Conhece Mário Zanini sobre quem exerceu grande influência.

1928 Forma o Grupo Santa Helena, onde trabalha ao lado de Bonadei e Rebollo. Conheceu Ernesto de Fiori, com quem vija à Europa e que iria influenciá-lo de maneira decisiva.

1938 Participa do Salão de Maio e da I Exposição da Família Artística Paulista, ambos em SP.

1939 Após visita a Itanhaém, inicia série de marinhas.

1940 Participa do VII Salão Paulista de Belas Artes .

1941 Participa do XLVII Salão Nacional de Belas - Artes do Rio de Janeiro, da I Exposição do Osirarte e do I Salão de Arte da Feira Nacional de Indústrias, em São Paulo.

1950 Faz sua primeira individual na cidade de São Paulo.

1953 - Ganha o prêmio da II Bienal Internacional de São Paulo, responsável pela sua maior visibilidade. Participa da XXVII Bienal de Veneza.

1956/57 Participa da I Exposição Nacional de Arte Concreta.

1957 - tem sua primeira retrospectiva, no Museu de Arte Moderna - Rio de Janeiro. 1975 Retrospectiva no MAM - São Paulo.

1976 Retrospectiva no Museu de Arte Contemporânea - Campinas.

1980 Exposição retrospectiva Volpi/As Pequenas Grandes Obras/ Três Décadas de Pintura na galeria A Ponte, em São Paulo,

1984 Participa da mostra Tradição e Ruptura, Síntese de Arte e Cultura Brasileiras, da Fundação Bienal. Em seu aniversário de 90 anos, o MAM-SP faz a exposição Volpi 90 Anos.

1988 Morre em São Paulo.

1993 A Pinacoteca do Estado de São Paulo expõe " Volpi - projetos e estudos em retrospectiva - décadas de 40-70 ".